PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ÓBITOS POR ANESTÉSICOS E GASES TERAPÊUTICOS NO BRASIL ENTRE 2020 E 2024
Palavras-chave:
Anestesia, Epidemiologia, Mortalidade, Segurança do paciente, Vigilância sanitáriaResumo
INTRODUÇÃO: Os anestésicos e gases terapêuticos constituem fármacos imprescindíveis na prática anestésica e no suporte ventilatório em procedimentos cirúrgicos. Hodiernamente, a segurança anestésica avançou significativamente, entretanto, os eventos adversos decorrentes do uso ou da exposição a essas substâncias podem estar associados à eventos adversos graves, resultando, inclusive, em desfechos fatais. No Brasil, a análise epidemiológica dessa mortalidade ainda é incipiente, dificultando a implementação de medidas preventivas e de vigilância sanitária. A compreensão do comportamento epidemiológico dos óbitos relacionados a anestésicos e gases terapêuticos é fundamental para orientar políticas públicas, aprimorar protocolos clínicos e reduzir a morbimortalidade associada. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos óbitos atribuídos a anestésicos e gases terapêuticos (CID-10: Y48) no Brasil, entre os anos de 2020 e 2024, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). METODOLOGIA: Trata-se de um estudo descritivo, retrospectivo e de abordagem quantitativa, baseado em dados secundários públicos obtidos do SIM/DATASUS. Foram incluídos todos os registros de óbitos cuja causa básica estivesse classificada no CID-10 sob o código Y48 – Anestésicos e gases terapêuticos, no período de 2020 a 2024. As variáveis analisadas incluíram ano do óbito e região de residência. Os dados foram extraídos e organizados por meio da plataforma TABNET e processados no Microsoft Excel 365. RESULTADOS: Entre 2020 e 2024, foram registrados 21 óbitos por anestésicos e gases terapêuticos no Brasil. A Região Sudeste concentrou o maior número de ocorrências (8 casos; 38,1%), seguida pelas Regiões Sul (6; 28,6%), Nordeste (4; 19,0%), Centro-Oeste (2; 9,5%) e Norte (1; 4,8%). Observou-se discreta variação anual, com pico em 2021 e 2022 (6 óbitos cada), redução em 2023 (3 casos) e queda adicional em 2024 (2 casos). O ano inicial da série, 2020, apresentou 4 registros. CONCLUSÃO: O estudo evidenciou baixa frequência de óbitos por anestésicos e gases terapêuticos no Brasil no período de 2020 a 2024, com predomínio nas regiões Sudeste e Sul. Embora os números absolutos sejam reduzidos, a ocorrência desses eventos reforça a importância da vigilância contínua sobre o uso seguro de agentes anestésicos e a necessidade de aprimoramento das práticas assistenciais e de monitoramento intraoperatório. A manutenção de bancos de dados atualizados e a análise periódica das causas de morte associadas à anestesia são medidas essenciais para consolidar uma cultura de segurança no cuidado perioperatório.
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