ANÁLISE COMPARATIVA DO IMPACTO AMBIENTAL DA HEMODIÁLISE: CONSUMO HÍDRICO E RESÍDUOS EM SERVIÇO DO NORDESTE BRASILEIRO

Autores

  • Josie Haydée Lima Ferreira Paranaguá UniFacid. Teresina - PI.
  • Bárbara D’Maria Alencar Nunes Ricardi UniFacid. Teresina - PI.
  • Paloma Freitas Rocha UniFacid. Teresina - PI.
  • Maria Júlia de Castro Mota Rocha Universidade Federal do Piauí
  • Arthur Barbosa de Medeiros Santos UniFacid. Teresina - PI.
  • Ginivaldo Victor Ribeiro do Nascimento UniFacid. Teresina - PI.

Palavras-chave:

Diálise renal, Sustentabilidade, Serviços de saúde

Resumo

INTRODUÇÃO: A hemodiálise consolida-se como uma terapia vital para milhões de pacientes com doença renal crônica terminal em todo mundo. No entanto, trata-se de uma das terapias de maior consumo de água e geração de resíduos, com impacto ambiental crescente, mas pouco documentado em países de baixa e média renda. No Brasil, estima-se que o Sistema Único de Saúde realize mais de 50 milhões de procedimentos de diálise por ano, atendendo uma população de mais de 140 mil pacientes. A carência de estudos que quantifiquem e caracterizem o impacto ambiental da hemodiálise perpetua a invisibilidade do problema. OBJETIVO: Avaliar, em centro do Nordeste brasileiro, o consumo de água e a produção de resíduos ao longo de um ano, comparando o modelo de reuso de dialisadores com cenário estimado de uso único. METODOLOGIA: Estudo observacional retrospectivo, em unidade privada conveniada ao SUS, em Teresina (PI), entre agosto/2022 e julho/2023. O consumo de água foi obtido junto à concessionária local e os resíduos quantificados por registros de almoxarifado, com pesagem e categorização. Estimou-se cenário alternativo de uso único. RESULTADOS: Foram realizadas 34.759 sessões em média de 223 pacientes/mês. O consumo total de água foi de 14,9 milhões de litros, correspondendo a 429 L/sessão e 66.906 L/paciente/ano, 2,3% atribuídos ao reprocessamento. A geração de resíduos sólidos: 30,9 t (0,89 kg/sessão; 138,6 kg/paciente/ano), sendo 21,6% filtros, linhas e equipos, 51,5% bombonas/frascos e 26,8% papelão. Do total plástico, 70,4% foram reciclados e 29,6% incinerados. No cenário de uso único, haveria acréscimo de 78,7% em resíduos (24,3 t adicionais), incremento de 312% nos plásticos incinerados e emissão adicional de 37,5 t de CO₂ equivalente. CONCLUSÃO: O reuso de dialisadores apresentou impacto marginal no consumo hídrico e redução significativa na geração de resíduos e emissões associadas, configurando-se como mais sustentável em contextos de recursos limitados. Otimização do uso da água e fortalecimento da reciclagem devem ser priorizadas para uma diálise ambientalmente sustentável.

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Publicado

09-07-2026