A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA PRÁTICA MÉDICA: FERRAMENTA DE APOIO OU SUBSTITUIÇÃO DO RACIOCÍNIO CLÍNICO?
Palabras clave:
Diagnóstico médico digital, Inovação, Responsabilidade tecnológicaResumen
INTRODUÇÃO: A tecnologia de inteligência artificial (IA) está revolucionando a medicina diagnóstica, transformando profundamente a maneira como as doenças são identificadas, compreendidas e tratadas. Este avanço tecnológico emerge em um momento crucial para a saúde, no qual se discutem os desafios na relação médico-paciente e a deficiência do exame clínico tradicional, que torna o diagnóstico cada vez mais dependente de exames complementares. Nesse contexto, a importância do computador na medicina e na saúde pública é cada vez mais enfatizada, seja pela adoção de sistemas de apoio à decisão clínica, pelo uso integrado de novas tecnologias, incluindo dispositivos corporais, que são aparelhos eletrônicos usados no corpo para coletar continuamente dados sobre a saúde de uma pessoa, ou pela capacidade de armazenar e processar grandes volumes de dados de saúde de pacientes e populações inteiras. A capacidade de armazenamento e processamento de dados aumentou exponencialmente nos últimos anos, dando origem ao conceito de big data, que representa um vasto repositório de informações clínicas e biológicas. A Inteligência Artificial atua diretamente sobre esses dados, utilizando algoritmos complexos que tendem a se aperfeiçoar de forma autônoma através de seu próprio funcionamento, o que lhes permite propor hipóteses diagnósticas com um nível de precisão crescente. Sistemas computadorizados de apoio à decisão clínica, ao processarem dados de pacientes, já têm indicado diagnósticos com elevado nível de acurácia, demonstrando um potencial significativo para otimizar processos, agilizar a detecção de patologias e resultar em tratamentos mais rápidos e eficazes. Além disso, a IA potencializa a personalização dos cuidados de saúde, permitindo que os médicos adaptem terapias e tratamentos de acordo com o perfil genético e o histórico médico individual de cada paciente. Contudo, a implementação dessa tecnologia não está isenta de desafios, levantando questões éticas e regulatórias importantes, como a privacidade dos dados do paciente e a necessidade de transparência nas decisões automatizadas. OBJETIVO: analisar o impacto da Inteligência Artificial na medicina diagnóstica, compreender as contribuições da IA na precisão e na personalização dos cuidados de saúde e refletir sobre os desafios éticos e regulatórios associados à aplicação da IA na saúde. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, realizada entre os meses de setembro e outubro de 2025, com o objetivo de avaliar o impacto da Inteligência Artificial (IA) na medicina diagnóstica, destacando suas contribuições para a precisão e personalização dos cuidados em saúde e os desafios éticos e regulatórios envolvidos. O estudo baseou-se em uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases PubMed, SciELO, BVS e Google Scholar, utilizando os descritores “inteligência artificial”, “IA na medicina”, “diagnóstico assistido por computador”, “raciocínio clínico”, “ética médica” e “tomada de decisão clínica”, combinados por meio de operadores booleanos (AND e OR) para refinar os resultados. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis na íntegra e relacionados à aplicação da IA na medicina diagnóstica ou em sistemas de apoio à decisão clínica, sendo excluídos trabalhos duplicados ou não pertinentes ao tema. Os dados foram analisados de forma interpretativa e comparativa, identificando convergências e divergências entre os estudos. O propósito central é compreender como a IA tem influenciado o raciocínio clínico e o processo diagnóstico, discutindo se atua principalmente como ferramenta de apoio ou se representa uma possível substituição parcial do julgamento médico humano. RESULTADOS: O estudo evidenciou que a Inteligência Artificial tem contribuído significativamente para a precisão diagnóstica e para a agilidade na tomada de decisões clínicas, especialmente em áreas que demandam grande volume de dados e análises complexas. Observou-se que a aplicação dessas tecnologias melhora a detecção precoce de doenças e otimiza o tempo de resposta em diferentes especialidades médicas. No entanto, constatou-se que o desempenho ideal dos sistemas depende da supervisão médica e da qualidade dos dados utilizados, mantendo o raciocínio clínico humano como elemento indispensável no processo de diagnóstico. De modo geral, os resultados confirmam que a IA atua como um recurso complementar, reforçando o trabalho médico e ampliando a eficiência no cuidado à saúde. CONCLUSÃO: Evidencia-se, portanto, que a Inteligência Artificial tem se mostrado uma das inovações mais marcantes da medicina moderna, especialmente no campo diagnóstico, ao ampliar a capacidade de análise de dados clínicos e tornar os diagnósticos mais rápidos e precisos. Além de favorecer o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados, essa tecnologia também convida à reflexão sobre os limites éticos da sua aplicação. Questões como a autonomia do médico, a privacidade das informações dos pacientes e a transparência das decisões automatizadas precisam ser constantemente discutidas. Portanto, a integração da IA à prática médica deve ocorrer com senso crítico e responsabilidade, garantindo que o avanço tecnológico caminhe em sintonia com os valores humanos e com a essência da relação médico-paciente.
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