EVOLUÇÃO DA LEISHMANIOSE VISCERAL EM CRIANÇAS NO ESTADO DO PIAUÍ: ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS NOTIFICADOS ENTRE 2015 A 2024
Palabras clave:
Epidemiologia descritiva, Leishmaniose visceral, Perfil de saúde, Saúde da criançaResumen
INTRODUÇÃO: A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa negligenciada que afeta principalmente crianças em regiões endêmicas. A transmissão ocorre vetorialmente pelo flebotomíneo e causa sintomas como febre, aumento do fígado e baço, além de anemia. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para evitar complicações graves e óbitos. A doença ainda apresenta alta mortalidade em populações vulneráveis. Estudos recentes ressaltam a importância da vigilância e do manejo clínico em pediatria. OBJETIVO: Analisar a evolução da leishmaniose visceral em crianças no estado do Piauí, entre 2015 e 2024, considerando seus aspectos temporais, espaciais, clínicos e epidemiológicos, de modo a subsidiar ações de vigilância, prevenção e controle da doença. METODOLOGIA: Tratou-se de um estudo epidemiológico de caráter descritivo, realizado através da coleta de dados provenientes da plataforma DATASUS (TABNET). Foram analisados os casos confirmados de leishmaniose visceral no estado do Piauí durante o período de 2015 a 2024, com o foco nas faixas etárias de 0 a 14 anos. As variáveis escolhidas para a análise foram: Região de Saúde (CIR) de residência, escolaridade, raça, sexo, diagnóstico parasitário, diagnóstico imunológico e evolução. RESULTADOS: Durante o período de 2015 a 2024, foram registrados 671 casos confirmados de leishmaniose em crianças de 0 a 14 anos no estado do Piauí. O ano de 2015 apresentou o maior número de notificações, com 138 casos (20,6%), representando o principal pico da série temporal. Na distribuição espacial, a Região de Saúde de entre rios concentrou o maior número de casos, com 216 notificações (32,2%). Quanto às características sociodemográficas, verificou-se predomínio entre indivíduos pardos (574 casos) e do sexo masculino (358 casos). Em relação à escolaridade, a categoria “5ª a 8ª série incompleta do Ensino Fundamental” foi a mais frequente, correspondendo a 6,1% do total (41 casos), compatível com a faixa etária mais acometida. Nos métodos diagnósticos, houve predomínio do exame parasitológico positivo (298 casos), seguido do teste imunológico (IFI) positivo (81 casos). Em relação à variável da evolução, observou-se que 38,9% dos casos evoluiu para cura (261 casos), porém foram registrados 25 óbitos por leishmaniose visceral, evidenciando a gravidade da doença. CONCLUSÃO: O estudo demonstrou que a leishmaniose visceral pediátrica no Piauí, entre 2015 e 2024, manteve-se como um sério problema de saúde pública, com 671 casos confirmados. A análise temporal revelou um pico significativo em 2015, enquanto a distribuição espacial destacou a Região de Saúde de entre rios como a área de maior endemicidade, demandando atenção prioritária. Houve uma clara predominância de casos em indivíduos pardos e do sexo masculino. O diagnóstico laboratorial, majoritariamente parasitológico, foi crucial para a confirmação. Apesar do alto índice de cura, os 25 óbitos registrados sublinham a persistente letalidade da doença em crianças. Portanto, as ações de vigilância epidemiológica e controle vetorial devem ser intensificadas, focando em áreas de maior risco, para reduzir a incidência e, principalmente, a mortalidade infantil por leishmaniose visceral no estado do Piauí.
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