LER/DORT EM BRASILEIROS COM JORNADA DE TRABALHO COM MAIS DE 6 HORAS NA ÚLTIMA DÉCADA
Palabras clave:
Saúde ocupacional, Epidemiologia, DORTResumen
INTRODUÇÃO: As Lesões por Esforços Repetitivos (LER/DORT) configuram um dos principais agravos à saúde do trabalhador no Brasil, gerando incapacidade funcional e significativo impacto socioeconômico. Tais distúrbios não apenas comprometem a qualidade de vida do indivíduo, mas também sobrecarregam os sistemas de saúde e previdenciário do país. A exposição a jornadas de trabalho prolongadas, superiores a seis horas diárias, é um fator de risco consolidado para o seu desenvolvimento. OBJETIVO: Compreender a relação da LER com a Jornada de trabalho em brasileiros. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e retrospectivo, baseado em notificações registradas no Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e disponibilizadas pelo DATASUS. Foram incluídos casos de LER/DORT em indivíduos com jornada laboral superior a seis horas diárias, notificados entre 2016 e 2025, abrangendo as cinco regiões do Brasil. As variáveis analisadas foram: ano de notificação, sexo, faixa etária, escolaridade, região de residência, ocupação, situação no mercado de trabalho, tempo de exposição ocupacional e ocorrência de afastamento laboral. RESULTADOS: Os resultados obtidos indicam uma associação significativa entre a ocorrência de LER/DORT e jornadas laborais superiores a seis horas diárias. O ano de 2024 apresentou o maior número de notificações, totalizando 8.697 casos. A maioria dos registros corresponde ao sexo feminino, com 27.367 ocorrências, predominando na faixa etária de 35 a 44 anos, responsável por 16.809 casos. Em relação à escolaridade, observou-se maior incidência entre trabalhadores com ensino médio completo, que somaram 18.092 notificações. Geograficamente, a região Sudeste concentrou a maior parte dos casos, com 2.115 registros. Quanto à ocupação, destaca-se a função de faxineiro como a mais acometida, com 3.253 notificações. A maioria dos trabalhadores afetados possuía vínculo empregatício formal, representando 33.073 casos, e apresentou tempo de exposição superior a um ano, com 34.277 ocorrências. Por fim, o número de afastamentos do trabalho em decorrência dessas lesões atingiu 29.191 trabalhadores. CONCLUSÃO: A LER/DORT permanece como um importante agravo à saúde do trabalhador brasileiro, especialmente entre aqueles com jornadas superiores a seis horas diárias. Constatou-se maior incidência em mulheres de 35 a 44 anos, com ensino médio completo e vínculo formal. A predominância de casos na região Sudeste e em ocupações de esforço físico reforça a influência das condições laborais. Esses dados evidenciam a necessidade de medidas preventivas e melhorias ergonômicas para reduzir o impacto dessas lesões.
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