ATIVIDADE FÍSICA, SAÚDE MENTAL E FUNCIONALIDADE EM FAMILIARES CUIDADORES DE PESSOAS AUTISTAS
REVISÃO INTEGRATIVA, COMPARAÇÃO INTERNACIONAL E PROPOSIÇÃO DO MODELO DE CARGA PSICOFUNCIONAL DO CUIDADO
Resumo
Introdução e objetivo: O aumento da identificação diagnóstica do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tornou mais visível uma segunda camada do problema sanitário: a saúde dos familiares que sustentam, no cotidiano, a maior parte da coordenação informal do cuidado. Este artigo analisa a relação entre atividade física, saúde mental, funcionalidade e sobrecarga em familiares cuidadores de pessoas autistas, com atenção aos efeitos estruturantes de gênero, renda e acesso a serviços, propondo um modelo teórico de carga psicofuncional do cuidado. Métodos: Foi realizada revisão integrativa com triangulação de dados secundários nacionais e internacionais, incluindo literatura científica recente, documentos da Organização Mundial da Saúde, dados do Censo Demográfico 2022, informações do CDC e marcos brasileiros de políticas públicas. A análise organizou os achados por mecanismos, variáveis mediadoras, moderadoras e desfechos funcionais. Resultados: A literatura converge ao indicar que cuidadores, sobretudo mães, apresentam pior qualidade de vida, maior carga emocional, sono prejudicado, sintomas ansioso-depressivos, compressão do tempo livre e menor adesão à atividade física. A feminização do cuidado e a desigualdade de renda aparecem como moderadores estruturais que ampliam a vulnerabilidade psicofuncional e dificultam a adesão a práticas protetivas. A inatividade física não aparece apenas como escolha individual, mas como consequência de uma ecologia de cuidado marcada por escassez de tempo, custos, vigilância continuada e fragilidade de apoio. Conclusão: A atividade física deve ser compreendida como tecnologia de saúde pública e estratégia de proteção funcional, desde que articulada a teleorientação, cuidado substitutivo, suporte territorial e redes intersetoriais. O Modelo de Carga Psicofuncional do Cuidado em Autismo oferece uma matriz explicativa para orientar pesquisas, programas comunitários e políticas de reabilitação ampliada.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista; Cuidadores; Atividade física; Saúde mental; Reabilitação.
