ESTADO FUNCIONAL DE SOBREVIVENTES À DOENÇA CRÍTICA DIAGNOSTICADOS COM COVID-19
UM ESTUDO DE COORTE
Resumo
Introdução: A maioria das pessoas infectadas por COVID-19 apresenta sintomas leves a moderados, no entanto, aqueles que desenvolvem uma forma grave da doença necessitam de hospitalização e, cerca de 20%, de cuidados intensivos. Objetivo: Comparar o estado funcional de sobreviventes à doença crítica diagnosticados com COVID-19 em quatro meses com um ano após a alta hospitalar. Método: Estudo longitudinal e prospectivo com pacientes adultos diagnosticados com COVID-19 que internaram em unidade de terapia intensiva (UTI). Foram avaliados o estado funcional, funcionalidade e capacidade funcional. Resultados: Participaram do estudo 52 pacientes com média de idade de 50,1±11,8 anos, a maioria era do sexo feminino (51,9%) e obesos (71,4%). A maioria dos pacientes necessitou de ventilação mecânica invasiva (VMI) (88,5%), permanecendo nesta condição por mediana de 9,0 (7,0-12,0) dias. As medianas de tempo de internação na UTI e hospitalar foram, respectivamente, de 11,0 (8,3-16,0) e 19,5 (14,0-29,3) dias. No geral, houve melhora do estado funcional em um ano no comparativo com quatro meses após a alta hospitalar para todas as variáveis na análise quantitativa (p<0,001 a p=0,017). Na análise qualitativa, apenas a velocidade usual de marcha em quatro metros não obteve diferença (p=0,125). Contudo, 22 (42,3%) e 19 (37,3%) dos pacientes ainda permaneciam com força muscular e capacidade funcional reduzidas. Conclusão: Houve prejuízo do estado funcional após a internação em UTI, mas que melhora ao longo do tempo. Entretanto, entre um terço e metade dos pacientes seguem disfuncionais após um ano da alta hospitalar, podendo impactar na qualidade de vida desses indivíduos.
Palavras-chave: Cuidados críticos; COVID-19; Estado Funcional; Força muscular; Desempenho Físico Funcional.
