DIREITO ADMINISTRATIVO DO MEDO

INVESTIGAÇÃO SOBRE O CONTEXTO E DINÂMICA DO CONTROLE SOBRE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Autores

  • Filipe Augusto Senff Universidade do Vale do Itajaí
  • Larissa Fernanda Dittrich Universidade do Vale do Itajaí
  • Maria Glória Dittrich Universidade do Vale do Itajaí

Resumo

O presente artigo visa compreender o problema que tem sido associado à expressão direito administrativo do medo, que envolve ineficiência e insegurança no serviço público por conta da forma como se estruturaram os mecanismos de controle e accountability da Administração Pública. A base paradigmática foi a hermenêutica fenomenológica, a abordagem foi qualitativa e os procedimentos técnicos predominantes foram a pesquisa bibliográfica e a pesquisa documental. Buscou-se examinar como a produção recente em direito administrativo, ciência política e gestão pública formula a tese de que o controle, embora legítimo e necessário, pode também gerar insegurança, omissão deliberada e reforço de rotinas burocráticas disfuncionais entre os agentes públicos envolvidos no ciclo de políticas públicas. Os resultados da pesquisa indicam que o medo de punições por erros administrativos pode moldar comportamentos e consolidar estratégias de autoproteção nem sempre legítimas ou saudáveis, em rotinas marcadas por estresse, ansiedade e apatia. Essa insegurança que se traduz em ineficiência é frequentemente invisibilizada, seja porque se confunde com desinteresse ou despreparo, seja porque o enfrentamento da corrupção e o endurecimento do controle seguem sendo entendidos como fins que justificam os meios. Por conta disso, entendeu-se que esta pesquisa pode contribuir com uma nova visão do controle sobre a Administração Pública, mais atenta à complexidade das ações públicas e disposta a distinguir o erro doloso e a culpa grave do erro inevitável ou imprevisível, equilibrando a responsabilização com a discricionariedade.

Palavras-chave: medo; controle; accountability; Administração Pública; direito administrativo do medo.

Biografia do Autor

Filipe Augusto Senff, Universidade do Vale do Itajaí

Mestre em Gestão de Políticas Públicas pelo Programa de Pós-graduação em Gestão
de Políticas Públicas (PPGPP), da Universidade do Vale do Itajaí, Univali. Servidor público municipal na Prefeitura de Araquari/SC.

Larissa Fernanda Dittrich, Universidade do Vale do Itajaí

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade do Vale do Itajaí, Univali, e Professora vinculada ao Programa de Pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas (PPGPP) da Universidade do Vale do Itajaí, Univali.

Maria Glória Dittrich, Universidade do Vale do Itajaí

Doutora em Teologia pela Escola Superior de Teologia. Professora titular e pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas (PPGPP), da Universidade do Vale do Itajaí, Univali.

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Publicado

24-06-2026